20 verdades sobre as empresas familiares

Há mais de 20 anos, desenvolvo projetos de profissionalização da gestão, gestão interina, processos sucessórios e desenvolvimento de herdeiros e sucessores, em grupo empresariais familiares de diversas magnitudes. Isto posto, posso afirmar que estas vinte verdades listadas também contribuem para dificultar e, em alguns casos, até bloquear os processos de profissionalização e sucessão de numerosas empresas familiares.

Para uma empresa familiar prosperar é necessário que se reconheça quais verdades ocultas existem em seus negócios e em suas famílias.

Curioso para conhecer algumas verdades das empresas familiares que consegui mapear (em alguns casos, constatar o que já havia pesquisado), nestes últimos anos? Então, vamos lá!

As 20 verdades sobre as empresas familiares

  1. Nem todo empreendedor ou empreendedora que se destaca é um bom gestor ou boa gestora.
  2. Muitas vezes, os herdeiros das empresas familiares são menos brilhantes que o fundador ou fundadora, pois talento acima da média não é hereditário.
  3. Alguns fundadores e fundadoras quando passam a resolver questões familiares por meio da(s) empresa(s), é o início do fim dos negócios da família.
  4. Inúmeras empresas familiares que “quebram” têm como causa principal desavenças familiares.
  5. Alguns empresários e empresárias são figuras públicas admiráveis, mas um insucesso como pai e mãe.
  6. Nem sempre o empresário ou empresária vive tanto quando desejaria viver e, não preparar a sucessão, pode causar um caos nos negócios.
  7. O fundador ou fundadora conquistou poder e ele é orgástico. Assim, para “largar o osso”, precisará encontrar outra fonte de prazer.
  8. É alto o número de herdeiros que não estão “nem aí” para o discurso do fundador ou da fundadora: “eu fiz isso para vocês”.
  9. O herdeiro ou a herdeira jamais será um funcionário comum.
  10. Se o empresário ou empresária exigisse dos seus herdeiros o mesmo nível de empenho, competência e comprometimento que cobra dos demais funcionários, muitos não trabalhariam nas empresas familiares.
  11. A dinâmica familiar é como uma reação nuclear: bem conduzida gera energia, mas ao contrário, pode produzir uma potente bomba de destruição em massa.
  12. Quando o fundador ou fundadora impõe um sucessor ou sucessora, em muitos casos, após a sua morte, os herdeiros começam a se digladiar, iniciando o processo de morte (nem sempre lenta) da empresa.
  13. Um dos principais temores de um empresário ou empresária é “quebrar”, principalmente, quando os seus filhos e filhas já são adultos, contudo, “empurram com a barriga” o processo sucessório e não resolvem a sucessão, ou seja, deixam o caminho livre para os seus herdeiros “quebrarem” as empresas familiares.
  14. Irmãos e sócios nem sempre são compatíveis. Em outras palavras, negócios à parte.
  15. Resolver carência afetiva de filho e filha com cargo na empresa é uma das piores decisões que o fundador pode ter.
  16. O ciúme acaba com casamentos e, do mesmo modo, com os negócios.
  17. Quando acaba o amor, o “meu bem” transforma-se em “meus bens” e o divórcio pode acabar com a empresa da família, simplesmente, por causa da não separação da tríade família-negócio-patrimônio.
  18. O “travesseiro do lado” nem sempre é um bom conselheiro, pois também tem os seus próprios interesses.
  19. Ser reconhecido na empresa apenas como filho ou filha do dono ou da dona não é elogio, é xingamento. Só perde para genro ou nora do dono.
  20. Se não está escrito, não vale!

Considerações finais

Fui escrevendo e, quando finalizei a lista, percebi que havia listado 20 verdades. Que sirvam de alerta para empresários, herdeiros, sucessores e executivos de empresas familiares.

Destaco que a probabilidade de sucesso da empresa familiar cresce quando há disciplina, respeito e diálogo na família, profissionalização na gestão e um processo de sucessão bem conduzido. É preciso evitar que questões ou disputas familiares prejudiquem a gestão dos negócios. Acreditem: conflitos familiares mal resolvidos quebram mais empresas do que problemas de gestão. É preciso separar família, empresa e patrimônio, com regras claras, evitando, assim, que os membros da família empresária reforcem a máxima “avô rico, filho nobre, neto pobre”.

Seguimos…

Autor: Albirio Gonçalves.