Pode dizer “não me traga problemas, quero soluções”, mas faça a sua parte

Nestes tempos de pandemia, quarentena, afastamento social e home office, onde muitas pessoas estão isoladas e empresas de todos os portes e segmentos estão passando por severas adversidades, a prática de dizer “não me traga problemas, traga-me soluções” vem sendo bastante utilizada por lideranças (empresários, gestores e líderes). Isso se dá em virtude dos desafios atuais de muitas equipes estarem remotas e, principalmente, do alto nível de estresse que assola o mundo. Particularmente, vejo o uso desse ditado com bons olhos, mas para ele ser efetivo, quem está na posição de liderança também precisa fazer a sua parte.

Este mundo VUCA no qual vivemos traz enormes desafios. Assim, empoderar a equipe é salutar para o bom andamento das execuções do que foi planejado, bem como para a correção de rumos, quando ocorre algum contratempo. Fazer os seus funcionários e funcionárias pensarem em soluções para os problemas que se apresentam pode fortalecê-los, aumentar a autoconfiança e impulsionar as suas carreiras, dentro e fora da organização, mas é preciso ter cuidado com essa prática, que pode parecer simples, mas está carregada de dificuldades. Uma delas, por exemplo, é que nem todo problema tem uma solução rápida e fácil. Sempre que necessário, reportá-lo para a liderança é, antes de qualquer coisa, uma atitude prudente, inteligente e cuidadosa. Portanto, dizer em todas as situações, “não me traga problemas, traga-me soluções”, é o verdadeiro problema.

Quando os problemas são comunicados com assertividade e a liderança tem a ação da escuta como prática usual, cria-se um ambiente no qual os membros da equipe se sentem seguros para reportá-los, proporcionando, geralmente, o tempo necessário para evitar que tais problemas se transformem em grandes, e muitas vezes, em irremediáveis crises. Também precisamos lembrar que, como cada pessoa tem o seu jeito de resolver problemas, largar a resolução de todos eles para a equipe, além de ser uma maneira da liderança se isentar da responsabilidade, pode levar a algumas soluções pouco eficazes, visto que poderá desconsiderar múltiplos pontos de vista, outras alternativas de solução e perspectivas diferentes de entendimento do problema. A liderança precisa sempre se colocar à disposição da equipe para ajudar a resolver qualquer questão. Empoderar não significa deixar as pessoas à própria sorte.

7 ações para tornar a equipe mais produtiva e segura para resolver problemas

Conheça as competências e habilidades da sua equipe – Ao longo dos anos, tenho visto diversos empresários, gestores e líderes que não conhecem bem as competências e habilidades das pessoas das suas equipes. Obviamente, se a equipe é muito grande, essa tarefa é, praticamente, impossível. Mas as lideranças precisam conhecer bem as skills dos seus dois círculos mais próximos, pelo menos. Por exemplo: um(a) CEO precisa conhecer as das vice-presidências e das diretorias ou gerências executivas, um diretor ou diretora precisa conhecer as das gerências e das coordenações e/ou supervisões, e assim por diante. No caso de pequenas empresas, todas as pessoas em postos-chaves precisam ter as suas habilidades e competências mapeadas pela liderança.

Delegue com precisão –Aprender a renunciar a determinadas atividades e distribuir autonomia ainda é um grande desafio, principalmente para empresários e gestores. Porém, saber delegar tarefas é uma das principais competências de uma liderança consciente. Ao conhecer bem as competências e habilidades das pessoas das suas equipes, a liderança tem a oportunidade de encontrar a pessoa ou pessoas mais adequadas para resolver cada tipo de problema que se apresenta.

Apesar de grande parte das lideranças ter ainda um perfil centralizador, delegar é importante. Quanto mais você delega, mais tempo tem para tarefas importantes, para estudar, para você, para a família… para a vida! Mas cuidado: delegar tarefas é diferente de transferir responsabilidades, pois o que se transfere é autonomia, não responsabilidade. Ou seja, delegar é diferente de “delargar”.

Promova a colaboração – Em várias oportunidades, o problema apresentado está além da capacidade de resolução da pessoa que o trouxe. Ao promover a colaboração entre os membros das equipes, a liderança proporciona que outra pessoa ou equipe, mais adequada para lidar com o desafio que se impõe, possa colaborar e encontrar a melhor solução. Em alguns casos, o problema é tão complexo e/ou pode comprometer a operação, que a liderança precisa permanecer envolvida, até que ele seja solucionado eficazmente.

Tire a bunda da cadeira – Atualmente, as lideranças precisam desenvolver pessoas, formar times de performance superior, criar sinergias entre os seus membros e apresentar ótimos resultados. Tudo isso em ambientes voláteis, incertos, complexos e ambíguos. Para liderar é preciso “tirar a bunda da cadeira”. Da mesma forma, pensar bastante (o que nem todos querem ou conseguem), ter sensibilidade para perceber o que está oculto e trabalhar pesado. O pior lugar para liderar uma equipe e ajudá-la a encontrar soluções para os problemas que se apresentam, no dia a dia, é estar a todo o momento atrás de uma mesa, em frente a um computador, analisando planilhas e escrevendo e-mails.

Nestes tempos de afastamento social, onde o home office se tornou uma prática comum, o “tirar a bunda da cadeira” é ainda mais importante. Isso significa que a liderança deve entrar em contato individualmente com os membros das equipes, para entender os diversos contextos nos quais estão inseridos, compartilhar experiências, ensinar e servir como agente agregador de soluções. Além disso, deve conversar com pessoas de fora da organização, entender outras e novas realidades e estudar diferentes assuntos.

Disponibilize-se para a equipe – Enquanto a liderança, em seu papel de gestor ou gestora, administra, gerencia, comanda e monitora; no papel de líder, cuida. Cuidar significa respeitar, entender, tomar conta (não no sentido de controlar), interessar-se pelo outro, incentivar, desenvolver e servir. É estar atento ao estrago das pequenas ondas. Também é construir resultados com as pessoas; reconhecendo, recompensando e realizando avaliações coerentes e justas. É ser orientado para a equipe, sem descuidar das metas da organização. A liderança precisa estar disponível para as pessoas e se lembrar que: quem muito se ausenta, um dia deixa de fazer falta.

Seja tolerante – Assim como entender não significa concordar, ser tolerante não significa deixar de ser exigente, mas entender o ponto de vista da outra pessoa. Deste modo, ser tolerante quer dizer ser uma pessoa aberta ao novo, a novas formas de enxergar os problemas e perceber que vários caminhos levam à Roma. Ou seja, que há, muitas vezes, soluções diferentes para o mesmo problema e que cada pessoa tem o seu jeito de resolver as situações. Aqui, cabe à liderança escolher qual a melhor alternativa entre as apresentadas.

Ajuste o seu estilo – Equidade não significa tratar todos de uma mesma maneira, mas manifestar senso de justiça e respeito à igualdade de direitos. Pessoas são diferentes e têm diversas maneiras de pensar e agir. Assim, a liderança precisa ajustar o seu estilo de liderar, gerenciar e comunicar, para conseguir extrair o máximo potencial de cada membro da equipe. Ela deve incentivar o companheirismo e aumentar o nível de engajamento, tão benéfico nos processos de resolução de problemas.

Considerações finais

Finalizando, acredito que equipes empoderadas tendem a apresentar as melhores soluções para as dificuldades e problemas que aparecem, no cotidiano das organizações. Equipes que trazem problemas casados com propostas de soluções tendem a resolver muitos deles, antes de precisar levá-los a instâncias superiores. Incentivar o pensar é fundamental para desenvolver a autonomia das pessoas. Contudo, lembre-se sempre: você pode dizer “não me traga problemas, traga-me soluções”, mas precisa fazer a sua parte.

Autor: Albírio Gonçalves.

Deixe um comentário