O futuro do trabalho (que já chegou) é phygital. E o que é isso? É a interseção de dois mundos, o real e o virtual, quer dizer, é quando o mundo físico e o digital se fundem para criar experiências e engajamento.

E você, já está preparado(a) para este mundo?

Se sim, saiba que o aprendizado será constante. Se não, é melhor começar a se inserir neste mundo de grandes desafios e oportunidades profissionais.

Gente, Negócios e Tecnologia

A minha paixão por Ge.N.Te (Gente, Negócios e Tecnologia) e suas interações acabou me levando a desenvolver carreira nestas três áreas, como especialista técnico, executivo, gestor, consultor e educador, além de ser foco dos meus estudos e pesquisas há mais de 20 anos. Sabe aquela história sobre ter razão ou ser feliz? Pois é, sempre acreditei que é possível os dois, assim como a convergência do real com o virtual sempre me pareceu inevitável.

As tecnologias vêm mudando a maneira como as pessoas se relacionam com as outras, com os ambientes e com o mundo, trazendo novas demandas, rompendo modelos, criando culturas, eliminando profissões e gerando outras. Conceitos como IoT (internet das coisas), IA (inteligência artificial), AR (realidade aumentada), blockchain, reality computing, big data, learning machining, gamefication, just walk out, omnichannel, estão, a cada dia, mais presentes em nossas vidas. No mundo do trabalho não poderia ser diferente.

O varejo e o mundo phygital

O varejo já retrata bem esta nova realidade, com a integração das lojas físicas e virtuais e o aprimoramento da experiência do cliente no ambiente físico por meio da inteligência digital. A americana Amazon, a chinesa Moby Mart e a brasileira Magazine Luiza são ótimos exemplos desta integração, que torna o phygital uma nova dimensão na experiência do consumidor. Nike, Tesla, Zara e Microsoft também são exemplos de empresas que vêm fazendo um ótimo trabalho explorando as possibilidades do phygital.

Esse novo varejo muda o papel do vendedor, que deixa de ser um apresentador de características, “oferecedor” de promoções ou tirador de pedidos e torna-se, cada vez mais, um consultor especializado e “resolvedor” de problemas. O vendedor (que pode estar presente física ou virtualmente) passa a ser um embaixador da marca, e não somente o representante do canal de vendas ao qual está vinculado, o que pede o desenvolvimento de um novo perfil deste profissional.

Humanos vs. Robôs

É verdade que a tecnologia ameaça muitas profissões. Os robôs são uma realidade em muitas indústrias e já desativaram muitos postos de trabalho. Entretanto, a tecnologia também gera muitas novas oportunidades profissionais. Não adianta ter medo dos robôs. Lembre-se: para não ser substituído por um robô humanoide, é preciso não ser um humano robotizado.

Para se destacarem em um mundo phygital, além dos competências e habilidades técnicas referentes às suas áreas de atuação, mais do que nunca, as pessoas precisam desenvolver competências e habilidades comportamentais, as famosas soft skills. Porque, por mais paradoxal que possa parecer, quanto mais usamos a tecnologia, mais podemos investir em nossos diferenciais humanos. Criatividade, colaboração, inteligência emocional, resiliência, flexibilidade, liderança e empatia são atributos que estão (e permanecerão) em alta no mercado de trabalho, além de serem diferenciais exclusivamente humanos… ainda.

Future of Jobs

Considerando a atual conjuntura de transformações, comportamentos e tendências sobre o futuro do trabalho, alguns estudos importantes, como o da PWC – PricewaterhouseCoopers, apontam que, até um terço dos postos de trabalho na Alemanha, Japão, Reino Unido e Estados Unidos podem ser ocupados por robôs, até 2030. Algumas profissões, como anestesistas, engenheiros de software, headhunters, recrutadores, corretores de seguro, assistentes jurídicos, operadores de telemarketing, contadores, auditores e pilotos de avião, serão fortemente impactadas. Este estudo é corroborado pelo relatório ‘Future of Jobs’, do Fórum Econômico Mundial, que divulgou, em janeiro de 2018quais as perspectivas para o mercado de trabalho no futuro.

Mas o que demonstra ser um prognóstico pessimista e assustador, na verdade, é apenas uma adaptação a um novo mundo. Há o outro lado da moeda. Muitas profissões atuais, como operador de drone ou gestor de mídias sociais, não existiam alguns poucos anos atrás. Tal como algumas profissões estão desaparecendo, muitas outras estão surgindo ou ainda surgirão, como biofarmacionista, geomicrobiologista, gestor de morte digital, especialista em trendsinnovation, hacker genético, técnico em manutenção de robôs, conselheiro de aposentadoria e guia de turismo espacial, para citar algumas.

Em um artigo recente, a revista MIT Slon, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), menciona um estudo global da Accentute PLC com mais de 1.000 empresas de grande porte usuárias de inteligência artificial e aprendizado de máquina. Este estudo identificou o surgimento de categorias inteiras de novas profissões apenas baseadas em IA, com atribuições exclusivamente humanas (trainers, explainers e sustainers). Em outras palavras, os treinadores, os explicadores e os sustentadores, estes últimos são os que ajudarão a garantir que os sistemas de IA estejam operando conforme o planejado e que as consequências não intencionais sejam abortadas com a devida urgência.

Profissões ligadas ao meio ambiente, à qualidade de vida e à saúde mental continuarão em alta. Mas a maioria das novas profissões estão nas áreas de tecnologia. Para alguns países, como o Brasil, que possui grande quantidade de postos de trabalho precários e uma educação deficiente, isso é um enorme problema.

Educação ou Morte!

Obviamente, para que o Brasil se torne protagonista neste novo mundo do trabalho que se avizinha necessitará de uma revolução na educação, que prepare profissionais para esta nova realidade e atenda às demandas das organizações contratantes e das várias gerações que convivem (e conviverão) nos diversos mercados de trabalho. E, neste quesito, o Brasil está atrasado, muito atrasado, com algumas poucas exceções. Infelizmente! A nossa educação, majoritariamente, é formada por escolas do século XIX, com professores do século XX e alunos do século XXI, como bem disse o especialista em educação, doutor e engenheiro químico, Mozart Neves Ramos. Temos que mudar esta realidade, urgentemente, para não perdermos o bonde, ou melhor, para não perdemos a cápsula de teletransporte (será?) do futuro do trabalho.

O Brasil precisa fazer o que fizeram a Coreia do Sul e a China, já com um gigantesco atraso: revolucionar a educação, do ensino básico ao superior, para que a nossa população, especialmente a mais carente, possa usufruir das oportunidades de trabalho produzidas pelo mundo phygital.

O tempo urge!

Por Albírio Gonçalves*

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(*) Albírio Gonçalves é consultor empresarial, educador corporativo, palestrante, mentor, coach, autor e referência em desenvolvimento de líderes, gestores, times/profissionais de alta performance e equipes de vendas, bem como na profissionalização da gestão e qualificação de sucessores e herdeiros de empresas e grupos empresariais familiares.

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