O Brasil está doente

A coisa está difícil, e isso é bem diferente de não está fácil. O Brasil vive a ressaca de uma grande farra, com o detalhe de não ter sabido beber. No dia a dia, observo sorrisos frouxos, que mais parecem externar a alegria característica do “ser brasileiro” do que felicidade ou bem-estar. A atual e radical polarização política nas redes sociais demonstra que a insatisfação com as coisas do Brasil independe de ideologia política.

Não, este texto não é uma ode ao pessimismo. Longe disso. Porém, esconder o Sol com a peneira não ajudará em nada. Afinal, para curar, quando há a possibilidade de cura, entendo que duas coisas são essenciais: o desejo da cura e o diagnóstico correto da enfermidade. E o Brasil está doente, muito doente. Não falo da doença moral e ética, que acomete e prejudica este belo país há décadas. Seria melhor dizer séculos? Refiro-me ao estado da economia brasileira, que mina empregos e esperanças.

Tenho conversado com pessoas de vários lugares e segmentos de mercado. Em muitos casos, a sensação que eu tenho é que elas não estão sabendo muito o que fazer ou para onde caminhar. Há uma sensação de pessimismo no ar e pouca esperança de que a situação se reverterá em curto prazo, ganhe quem ganhar as eleições presidenciais de 2018.

Um momento para repensar

Em situações assim, existem os que choram e os que vendem lenços, claro! Contudo, até o mercado de lenço parece estar saturado. Algumas atividades estão imunes aos problemas, outras, crescendo, inclusive. Claro que há boas oportunidades, mas vivemos, sim, um momento deliciado da economia, que não é causa, mas consequência. O país está colhendo os frutos das suas escolhas macroeconômicas equivocadas e das políticas de governo (se há alguma) mal planejadas. Por outro lado, muitas empresas estão em dificuldades porque entraram na farra dos últimos anos sem um planejamento eficaz.

Se você é empresário, sofrendo nada, pouco ou muito com o rescaldo da crise, aproveite o momento para reestruturar o seu negócio, analisar o mercado (e novos nichos), qualificar a sua equipe, contratar gente boa, planejar adequadamente e pedir ajuda. Mesmo em momentos ruins, e por causa deles, é preciso agir rápido e fazer diferente.

O cenário é de guerra

Como em toda guerra, um dos “efeitos colaterais” é a morte de inocentes. Simbolicamente, podemos retratar como “inocentes mortos” os profissionais competentes, engajados, bem formados e entregadores de resultados, alijados de seus empregos. Há muita gente boa ainda fora do mercado. No LinkedIn, por exemplo, tenho visto um número crescente de perfis com os eufemismos “buscando novos desafios”, “em transição de carreira” e “em busca de novas oportunidades”. Profissionais que performam bem estão engrossando o rol de desempregados. Como em toda crise existe uma oportunidade. Eis uma boa oportunidade para empresas contratarem profissionais qualificados.

É preciso seguir em frente

Se você “busca novos desafios”, está numa fase de vida complicada e já não sabe o que fazer, sei que o tempo de recolocação aumentou, que a concorrência por uma boa vaga está mais acirrada, que você pode ter ouvido alguns “nãos” ou não ter tido retorno sobre as entrevistas que fez, nos últimos meses ou semanas, mas é preciso seguir em frente. Não perca as esperanças. Aproveite o momento para fazer uma autoanálise, refletir sobre os seus pontos fortes e fracos, conversar com amigos, conhecer gente, estudar sobre a sua área, aprender coisas novas, ampliar os horizontes, refazer o currículo, repensar sua carreira, procurar ajuda e reabastecer as energias para continuar firme até a recolocação ou, quem sabe, empreender com sucesso.

É o Brasil que está doente, não é você. Crises vêm e vão embora, não são eternas. A vida é feita de ciclos. Aguente firme e acredite… você não é um fracasso!

Por Albírio Gonçalves*

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(*) Albírio Gonçalves é consultor empresarial, educador corporativo, palestrante, mentor, coach, autor e referência em desenvolvimento de líderes, gestores, times/profissionais de alta performance e equipes de vendas, bem como na profissionalização da gestão e qualificação de sucessores e herdeiros de empresas e grupos empresariais familiares.

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