Educação Corporativa: muito além do PowerPoint

Por Albírio Gonçalves

A Educação Corporativa deve estimular a criação de ideias que proporcionem a materialização de sonhos (metas, objetivos e desejos) corporativos, profissionais e pessoais. Para tanto, ela precisa:

(a) Ser mais inspiradora do que é hoje.

(b) Proporcionar uma experiência de aprendizagem autêntica.

(c) Favorecer o crescimento pessoal e profissional das pessoas, enfatizando, além do saber, o fazer e o ser.

E isso não se consegue com slides de PowerPoint cheio de bullet points e textos reproduzidos de livros e sites da internet. É preciso ir além… muito além do PowerPoint. É preciso ter verdadeiro compromisso com o aprendizado, responsabilidade com a entrega e uma preocupação genuína com o dia seguinte, o que chamo de ‘fator day after’.

O ‘fator day after’ é o que determina que a aprendizagem precisa ser algo que poderá ser incorporado de maneira prática e concreta na rotina profissional e pessoal dos colaboradores. Ou seja, o ‘fator day after’ é a garantia de instrumentalização do conteúdo.

Infelizmente, muitas iniciativas ainda são pautadas no ensino, não no aprendizado, onde o conhecimento vem de cima para baixo, dentro de um escopo acadêmico superado, exatamente o mesmo de décadas atrás. Geralmente, essas iniciativas contam com a colaboração de uma personagem que chamo de “guru teórico-multiplicador”, pessoas que tentam ensinar o que desconhecem na prática. É gente que fala sobre planejamento estratégico sem ter feito um (de verdade!), leciona sobre liderança sem ter liderado e desenvolvido pessoas, explica como fazer uma gestão do tempo eficaz sem conseguir cumprir compromissos e cronogramas, ministra treinamentos de vendas sem ter concluído uma boa negociação, em toda a sua vida. Essas pessoas têm como prática didática ler slides, seguir scripts e reproduzir (nem sempre fidedignamente) textos lidos e copiados. Nada mais ultrapassado, ineficaz e assustador!

Para que se tenha uma Educação Corporativa de qualidade, a organização precisa privilegiar o aprendizado em detrimento do ensinamento, reconhecer a transitoriedade do conhecimento, utilizar a tecnologia como aliada, considerar as necessidades dos gestores e das suas equipes, observar as metas e as estratégias empresariais, ajudar a desenvolver habilidades para a vida, além das competências e habilidades técnicas exigidas.

A Educação Corporativa precisa ser voltada para o sucesso da organização, baseando-se em modelos de aprendizagem que considerem o dia a dia corporativo, as competências, os valores, a cultura e as crenças organizacionais, valorizando, além do saber técnico, o conhecimento empírico (aquele que vem da experiência) dos envolvidos e ressaltar o pensamento sistêmico, no qual o todo é maior do que a soma das partes.

A boa notícia é que a educação, especialmente a Educação Corporativa, está se transformando, e precisa se transformar, rapidamente. Há mais de uma década, venho estudando e pesquisando iniciativas educacionais e de aprendizagem corporativa, principalmente as disruptivas. Nos últimos anos, particularmente, venho discutindo com diversos públicos (acadêmicos, executivos, profissionais de RH, dirigentes e profissionais de áreas diversas) sobre o assunto. Essas conversas geraram muitos insights, vários deles testados e, alguns, validados. As principais iniciativas validadas foram compiladas e deram origem, no início de 2016, à metodologia DREAM LEARNING +D, que foi influenciada por sete tendências:

  1. TECNOLOGIA (interatividade, ambientes virtuais, plataformas de EAD, videoaulas, mobile learning).
  2. PERSONALIZAÇÃO (pessoas diferentes, necessidades diferentes, estímulos diferentes, experiências diferentes).
  3. DESCENTRALIZAÇÃO (professor como mentor, com a responsabilidade de fazer emergir a inteligência coletiva).
  4. NARRATIVA E CONDUÇÃO (utilização de técnicas de storytelling para envolver os participantes).
  5. GAMIFICAÇÃO (utilização de games para contribuir com o processo de aprendizagem).
  6. FORMAÇÃO INDEPENDENTE (possibilidade de aprender sozinho através de ambientes virtuais).
  7. EXPERIÊNCIA (incorporação de atividades práticas e o “aprender fazendo” para maximizar o aprendizado).

Confio que a Educação Corporativa possui dois grandes objetivos: desenvolver profissional e pessoalmente os colaboradores e contribuir positivamente para os resultados e o sucesso das organizações. É para isso que ela deve servir!

Seguimos…