Desenvolvendo lideranças através da educação corporativa

Por Albírio Gonçalves

O desenvolvimento das lideranças é imprescindível. O mundo muda velozmente e os líderes precisam evoluir. Habilidades e competências que levaram a êxitos passados, mesmo que recentes, não garantem que os levarão a conquistas futuras. É preciso avançar, sempre! Líderes que deixam de aprender são facilmente ultrapassados e se tornam defasados. Os negócios e os mercados crescem, mudam, fundem-se, transformam-se, e os líderes precisam acompanhar todos esses movimentos. Contudo, não basta apenas aprender, é preciso colocar em prática o aprendizado. Transformar conhecimento em desempenho.

Um recente estudo realizado pela Duke University constatou que o desenvolvimento da liderança é o segundo maior desafio enfrentado pelas organizações. E que desafio! Afinal, pesquisas indicam que organizações que investem no real desenvolvimento das suas lideranças alcançam resultados mais elevados do que as que não fazem este tipo de investimento, independentemente do setor e do país analisado. Ademais, muitos sintomas ou causas das crises que ocorrem nos diversos países e organizações estão diretamente ligados ao “apagão de lideranças” políticas e empresariais.

Há enormes e novas expectativas em torno das lideranças. O antigo modelo do “Grande Líder” está ultrapassado. Atualmente, os líderes precisam desenvolver pessoas, formar times de performance superior, criar sinergias entre os seus membros e apresentar ótimos resultados. Para liderar é preciso “tirar a bunda da cadeira”, pensar bastante (o que nem todos querem ou conseguem), ter sensibilidade para perceber o que está oculto e trabalhar pesado. Para tanto, é necessário possuir uma formação adequada e ter a atitude necessária para desenvolver-se como líder. Não existe um estilo ideal de liderança. Muitas vezes, comete-se uma violência contra os líderes ao se querer treiná-los ou educá-los para que exerçam determinado tipo de liderança ou que copiem modelos de terceiros ou pseudomodelos tidos como ideais. O estilo ideal é o da própria pessoa exponenciado por seus pontos fortes, balizado por valores como ética, integridade e respeito, considerando alguns elementos importantes, como: saber ouvir, gostar de gente, vontade de fazer, facilidade em aprender, capacidade de realização, entre outros.

Atualmente, as organizações buscam respostas para muitos questionamentos. Estas organizações estão cansadas de investir em capacitação e desenvolvimento das suas lideranças e não verem os resultados práticos das ações de treinamento. Mas, definitivamente, não precisa ser assim. Projetos customizados, coaching, programas de liderança integral, administração de conflitos e formação e desenvolvimento de equipes de alto rendimento estão entre os principais temas trabalhados para se enfrentar o desafio da formação e do desenvolvimento de lideranças mundo afora. Porém, há um problema: separar o joio do trigo. Infelizmente, há muitos programas de capacitação e desenvolvimento que não geram os resultados que deveriam. As áreas de educação, desenvolvimento e recursos humanos necessitam escolher os seus fornecedores de educação corporativa com esmero. Enquanto olharmos para métricas como número de módulos e a quantidade de horas treinadas versus capital investido como resultado, estaremos perdendo excelentes oportunidades para fazer a real diferença. Realizar treinamentos só para utilizar a verba disponível não é a solução para qualificar as lideranças de uma organização.

Defendo que a educação corporativa precisa contemplar as transformações que ocorrem no mundo e acredito que programas de aprendizagem que estabelecem conexões com o dia a dia do trabalho são mais efetivos para desenvolver líderes. Sim, aprendizagem! O foco tem que ser na aprendizagem, não no ensino, como, infelizmente, ainda verificamos em muitas salas de aula corporativas. A educação corporativa precisa conectar o desenvolvimento das lideranças aos resultados do negócio. Assim, as iniciativas de treinamento e desenvolvimento de líderes precisam ter como premissas fundamentais: o foco no negócio, a ênfase na transferência do aprendizado, a incorporação de atividades práticas que promovam o “aprender fazendo”, as respostas às necessidades do Cliente, a possibilidade do líder continuar aprendendo sozinho e a capacidade deste líder em desenvolver pessoas. Desta maneira, conseguiremos que os projetos de educação corporativas voltados para o desenvolvimento de lideranças façam diferença positiva, alcancem os resultados esperados e valham a pena.