Como transformar educação corporativa em desempenho

A Educação Corporativa precisa ir além do Powerpoint, deve estimular a criação de ideias e melhorar o desempenho das equipes. Assim sendo, ela precisa evoluir. Primeiramente, ela tem que ser mais inspiradora do que é hoje. Em segundo lugar, proporcionar uma experiência de aprendizagem autêntica. também, deve favorecer o crescimento pessoal e profissional das pessoas, enfatizando, além do saber, o fazer e o ser por meio de hard e soft skills. para finalizar, deve proporcionar a materialização de sonhos (metas, objetivos e desejos) corporativos, profissionais e pessoais.

E isso não se consegue com slides de PowerPoint cheios de bullet points e textos reproduzidos de livros e sites da internet. É preciso ir além… muito além do PowerPoint. É preciso ter verdadeiro compromisso com o aprendizado, responsabilidade com a entrega e uma preocupação genuína com o dia seguinte, o que chamo de ‘fator day after’.

O ‘fator day after’ da educação corporativa

Este fator é o que determina que a aprendizagem precisa ser algo que poderá ser incorporado de maneira prática e concreta na rotina profissional e pessoal dos colaboradores. Ou seja, o ‘fator day after’ é a garantia de instrumentalização do conteúdo.

Infelizmente, muitas iniciativas ainda são pautadas no ensino, não no aprendizado, onde o conhecimento vem de cima para baixo, dentro de um escopo acadêmico superado. Exatamente o mesmo de décadas atrás. Geralmente, essas iniciativas contam com a colaboração de uma personagem que chamo de “guru teórico-multiplicador”. Essas pessoas tentam ensinar o que desconhecem na prática. É gente que fala sobre planejamento estratégico sem ter feito um (de verdade!), leciona sobre liderança sem ter liderado e desenvolvido pessoas, explica como fazer uma gestão do tempo eficaz, sem conseguir cumprir compromissos e cronogramas, ministra treinamentos de vendas sem ter concluído uma boa negociação, em toda a sua vida. Elas têm como prática didática ler slides, seguir scripts e reproduzir (nem sempre fidedignamente) textos lidos e copiados. Nada mais ultrapassado, ineficaz e assustador!

Aprendizado vs Ensinamento

Para que se tenha uma Educação Corporativa de qualidade, verdadeiramente, a organização precisa privilegiar o aprendizado em detrimento do ensinamento, reconhecer a transitoriedade do conhecimento, utilizar a tecnologia como aliada, considerar as necessidades dos gestores e das suas equipes, observar as metas e as estratégias empresariais, ajudar a desenvolver habilidades para a vida, além das competências e habilidades técnicas exigidas.

A Educação Corporativa precisa ser voltada para o sucesso da organização, baseando-se em modelos de aprendizagem que considerem o dia a dia corporativo, as competências, os valores, a cultura e as crenças organizacionais. É preciso valorizar, além do saber técnico, o conhecimento empírico (aquele que vem da experiência) dos envolvidos e ressaltar o pensamento sistêmico, no qual o todo é maior do que a soma das partes.

A boa notícia

A educação, especialmente a Educação Corporativa, está se transformando, e precisa se transformar, rapidamente. Há duas décadas, venho estudando e pesquisando iniciativas educacionais e de aprendizagem corporativa, principalmente as disruptivas. Nos últimos anos, particularmente, venho discutindo com diversos públicos (acadêmicos, executivos, profissionais de RH, dirigentes e profissionais de áreas diversas) sobre o assunto. Essas conversas geraram muitos insights e ideias, muitas delas testados e algumas validadas. Além disso, em 2016, compilei as principais iniciativas validadas e desenvolvi a metodologia de aprendizagem integral DREAM LEARNING +D, em constante atualização, que foi influenciada por sete tendências:

  1. TECNOLOGIA (interatividade, ambientes virtuais, plataformas de EAD, videoaulas, mobile learning, games).
  2. PERSONALIZAÇÃO (pessoas diferentes, necessidades diferentes, estímulos diferentes, experiências diferentes).
  3. DESCENTRALIZAÇÃO (professor como mentor, com a responsabilidade de fazer emergir a inteligência coletiva).
  4. NARRATIVA E CONDUÇÃO (utilização de técnicas de storytelling para envolver os participantes).
  5. METODOLOGIAS ATIVAS, ÁGEIS E IMERSIVAS (para melhorar o processo de aprendizagem).
  6. FORMAÇÃO INDEPENDENTE (possibilidade de aprender sozinho através de ambientes virtuais).
  7. EXPERIÊNCIA (incorporação de atividades práticas e o “aprender fazendo” para maximizar o aprendizado).

Acima de tudo, confio que a Educação Corporativa pode ir além do Powerpoint e possui dois grandes objetivos: desenvolver profissional e pessoalmente os colaboradores e contribuir positivamente para os resultados e o sucesso das organizações. É para isso que ela deve servir!

Seguimos…

Autor: Albírio Gonçalves.

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