A empatia é a chave para o sucesso da cultura organizacional colaborativa


Em diversas organizações, há uma boa lacuna entre a cultura organizacional que os executivos e executivas desejam e a que desfrutam. A empatia pode ser o agente responsável por reduzir esse espaço. Os ambientes corporativos empáticos são propensos a serem mais colaborativos, menos estressantes, mais justos, além de ter taxas mais elevadas de retenção e maior resiliência entre os seus funcionários, fazendo com que se recuperem mais rapidamente de situações e fases difíceis.

Equipes são formadas por pessoas diferentes, com várias aptidões, capacidades e personalidades, o que pode acarretar ambientes poucos harmoniosos. Nesses casos, problemas de simples solução, não raro, saem do controle e se prolongam por um tempo desnecessário, contribuindo para deixar o ambiente tenso e pouco colaborativo. Líderes precisam identificar possíveis pontos de tensão, encorajar relações mais saudáveis e promover a empatia. Logo, na organização, ela é uma poderosa aliada para a gestão das equipes, a integração e o engajamento dos funcionários.

Mas o que é empatia?

Segundo a professora, pesquisadora da Universidade de Houston (EUA) e escritora Brené Brow, a empatia é o “sentir com as pessoas” e compreende quatro capacidades:

  • Assumir a perspectiva da outra pessoa,
  • Afastar-se do julgamento,
  • Reconhecer a emoção do outro,
  • Saber comunicar essa emoção.

A ciência já comprovou que as pessoas se adaptam aos comportamentos dos grupos. Ou seja, em ambientes poucos colaborativos, as pessoas tendem a colaborarem menos; em ambientes colaborativos, as pessoas inclinam-se a cooperarem mais. Assim, se o ambiente é empático, as pessoas tendem a se colocar mais no lugar das outras, a colaborarem mais e a serem mais engajadas, criando, por conseguinte, um círculo virtuoso, no local de trabalho. A empatia é contagiosa.

A importância da empatia no ambiente corporativo e para os resultados das organizações

Um estudo da consultoria Businessolver divulgado em 2019, que entrevistou 1.850 trabalhadores, profissionais de RH e executivos dos EUA, revelou que 79% dos CEOs reconhecem a empatia como chave para o sucesso das companhias. E essa percepção se fortaleceu nos últimos anos. Em 2017, a mesma pesquisa apontou que 57% dos executivos acreditavam ser importante investir nessa habilidade no ambiente de trabalho. Dois anos depois, em 2019, o índice saltou para 79%.

Em relatório de 2018, o Banco Mundial evidenciou que os processos organizacionais modernos, embora fundamentados em tecnologia, são todos decorrentes e dependente de relacionamento humano. Definitivamente, a empatia passa a ter importância crescente nas organizações.

Relatório do Empathy Monitor, de 2017, aponta que a empatia tem impacto direto na produtividade, lealdade e engajamento dos funcionários. Nele, 77% disseram que estariam dispostos a trabalhar mais horas para um local de trabalho mais empático.

Segundo a consultoria Empathy Business e a Harvard Business Review, as organizações com culturas organizacionais mais empáticas são mais valorizadas, mais produtivas, mais lucrativas e elevam o seu faturamento em níveis maiores do que a média das organizações que fazem parte do Empathy Index.

Todos esses dados, acima, comprovam que a empatia é relevante para o sucesso das organizações.

A empatia do povo brasileiro

Mesmo o Brasil tendo a fama de ser um país alegre, simpático e receptivo, entre outras qualidades, o povo brasileiro peca no quesito empatia. Pesquisa publicada pela Universidade Estadual de Michigan (EUA), em 2016, por William Chopik, principal autor do estudo para o Cross-Cultural Psychology, que pesquisou online 104.365 pessoas adultas, que responderam perguntas sobre empatia, capacidade de reagir e se conectar com os outros emocional e intelectualmente, revelou que o Brasil ficou em 51º lugar no ranking de empatia, entre 63 países analisados. Se você se surpreendeu, eu também. Portanto, temos aqui uma bela oportunidade de melhoria.

Como construir uma cultura organizacional colaborativa?

O primeiro passo para a construção de uma cultura organizacional colaborativa é ter a consciência que a empatia é uma habilidade que pode ser aprendida, sendo assim, o ambiente empático pode ser construído. As lideranças são fundamentais para essa construção, devendo:

  • Ser exemplos de profissionais que se colocam no lugar das outras pessoas,
  • Criar uma visão clara do ambiente corporativo desejado,
  • Avaliar como pensam e agem os funcionários,
  • Traçar estratégias de engajamento,
  • Criar ambientes que favoreçam a exposição de ideias, interesses e dúvidas,
  • Construir estruturas que favoreçam o desenvolvimento da empatia,
  • Transmitir equilíbrio emocional,
  • Demonstrar confiança,
  • Valorizar o trabalho em equipe.

Nas organizações, as pessoas precisam entender que, para todos serem bem-sucedidos em suas tarefas, precisam se ajudar, reiteradamente. Assim, antes de mais nada, as lideranças devem orientar os funcionários sobre como eles podem evoluir em seus comportamentos e resultados, sendo mais empáticos.

Nesse processo de construção, encontrar líderes informais no grupo, que contribuam para a colaboração e coesão das equipes, é um fator importante para difundir a empatia no ambiente corporativo. Tais líderes, tendem a ser mais conectados com mais pessoas e servirão como multiplicadores e cocriadores da cultura organizacional pretendida. Esse é um ponto importante, tendo em vista que, mesmo com o patrocínio da alta liderança, as culturas organizacionais se desenvolvem orgânica e coletivamente top-down, mas mudam, frequentemente, bottom-up.

A empatia e o pós-pandemia

Para finalizar, ressalto que, atualmente, as organizações passam por profundas e aceleradas transformações, sendo a digital a mais evidente. A pandemia da Covid-19 escancarou a urgência dessas transformações. Mesmo em um Mundo VUCAphygital e em profunda transformação digital, o desenvolvimento de soft skills, como criatividade, resiliência, proatividade e empatia, serão, a cada dia, essenciais para a capacidade de adaptação e empregabilidade de profissionais de todas as áreas de atuação. Da mesma maneira, ter um ambiente corporativo empático e colaborativo, será fundamental para o sucesso e a perenidade das organizações.

Que possamos construir famílias, sociedades, organizações e nações mais empáticas.

Seguimos…

Autor: Albírio Gonçalves.

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